Sete observações sobre o liberalismo econômico

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Resolvi elencar algumas observações minhas sobre liberalismo econômico. São conclusões às quais cheguei com o tempo, a partir de leituras e experiências. Separei em sete pontos.

1. Liberalismo não é uma panaceia. Embora muitos dos primeiros liberais, influenciados pelo germe redentor do iluminismo, tenham observado esse sistema com grande empolgação, o fato é que como qualquer outro sistema humano, ele não pode criar um mundo perfeito ou próximo a isso. O liberalismo é a economia do possível, tal como o conservadorismo é a política do possível. O não reconhecimento disso distorce suas próprias bases como, por exemplo, a noção de pessimismo ou ceticismo antropológico (o homem é inclinado à imperfeição).

2. O liberalismo sozinho não constrói, tampouco muda uma grande nação em termos políticos, morais, espirituais e culturais. É um engano achar, por exemplo, que o liberalismo, por si só, é responsável pelo alto nível de honestidade de alguns povos. A honestidade coletiva se constrói ao longo de séculos de valores morais e éticos cultivados, protegidos e passados de geração em geração. Assim, um povo pode ser mais honesto que outro independente de modelo econômico adotado.

A importância do liberalismo nessa equação é que ele se encaixa melhor com um ser humano inclinado ao mal. Em outras palavras, ele possui maior potencial para impedir que o despotismo estatal. Uma sociedade honesta, mas com economia muito interventora tende a alimentar a corrupção, ou o autoritarismo, ou a ineficiência, pois mesmo o grau de honestidade sendo alto, o homem continua tendo propensão à imperfeição. Por outro lado, uma sociedade de economia liberal, mas com povo desonesto, tende a macular o liberalismo.

O liberalismo, portanto, serve como um delimitador da maldade humana, assim como também o são o Estado de direito, a tripartição dos poderes, a democracia representativa é a transparência nos procedimentos públicos. Eles são muito úteis numa sociedade civilizada e com cultura moral e espiritual elevadas (dentro das possibilidades humanas). Mas pouco podem fazer em uma sociedade de ímpeto mal, que além de inclinada à imperfeição, cultiva com afinco os piores vícios. Na verdade, numa sociedade assim, sequer pode surgir essa instrumentos de delimitação humana, visto que as pessoas não estão interessadas em travar nada.

Em suma, do ponto de vista histórico, esses mecanismos de limites para o ser humano só puderam emergir porque muitas sociedades se tornaram mais civilizadas, mais sensíveis moralmente, menos bárbaras. E o grande responsável por isso, em nossa era, pelo menos culturalmente, foi o cristianismo, ficando a moral judaico-cristã entre os povos e resgatando algumas boas ideias políticas originadas na Grécia que não tinham ido adiante.

3. Sabendo que o liberalismo econômico é positivo, mas não civiliza ou moraliza sozinho uma nação, deve ser concebido sempre em união com uma cultura moral e intelectualmente sólida, bem como mecanismos políticos firmes de contenção da ganância e da violência humanas. Qualquer proponente do liberalismo que não atente para esses tópicos está fadado ao fracasso. Seu projeto de economia não mudará a sociedade. Talvez até crie melhores condições e riqueza. Mas riqueza para um povo é um governo corruptos não geram uma boa estrutura social.

4. O liberalismo também deve andar de mãos dadas com o conservadorismo. A cosmovisão conservadora coloca o liberalismo com os pés no chão, impedindo que ele faça do modelo liberal um tipo de revolução. O liberalismo, ressalta-se, deve ser visto como a economia do possível e não mais que isso.

5. Considerados esses fatores, o liberalismo, em maior ou menor grau, pode ajudar muito uma sociedade já bem estruturada moralmente a ser mais mais honesta, mais rica e mais virtuosa. Há, na economia liberal, potencial para gerar virtudes no povo como o espírito empreendedor, as associações não governamentais de assistência social, a responsabilidade individual, a visão da família como pilar social e a autonomia em relação ao governo; e virtudes nos governantes como o respeito à limitação do Estado.

Por outro lado, o estatismo tende a corroer esses valores e criar vícios sociais. No povo, tende a gerar a delegação de responsabilidades individuais ao governo, o desprezo à atividade empreendedora (deixando-a entregue apenas aos gananciosos), a cultura do cargo estatal como meta de vida (seja por indicação ou concurso), o hábito de não cuidar bem das coisas públicas, o desestímulo ao trabalho eficiente em cargos públicos, a extrema dependência do Estado, a exigência de cada vez mais funções para o governo (e menos para a sociedade) e a substituição da autoridade familiar pela autoridade estatal. No governo, tende a atrair políticos corruptos, oportunistas, autoritários e idealistas, que se esforçarão para criar um Estado cada vez mais poderoso, tornando-o mais exposto à corrupção, ao despotismo e/ou à ineficiência.

6. É um mito crer que o liberalismo está baseado em um egoísmo do tipo mesquinho. É preciso entender o conceito observado primeiramente por Adam Smith a respeito do egoísmo como base do crescimento econômico. O egoísmo aqui não é definido em termos positivos ou negativos, mas neutros. A melhor palavra para descrever talvez seja amor próprio. Todos precisam ter amor próprio e é, em geral, pelo amor próprio que nos esforçamos em nossos trabalhos, a fim de prover nosso sustento. O amor próprio se torna ruim quando nosso amor não se estende às outras pessoas. Esse é o egoísmo mal ou mesquinho. Mas o amor próprio que não impede o amor pelos outros, nem o altruísmo, é um sentimento bom e importante.

Do ponto de vista estritamente econômico, tanto o amor próprio bom quanto o ruim tendem a gerar o mesmo efeito: produtos e serviços melhores, mais abundantes e mais baratos. Isso porque todos os agentes econômicos geralmente irão se esforçar para ganharem a concorrência, no intuito de terem o melhor para si. E para ganhar a concorrência, arrumam formas de atrair clientes com preços e/ou qualidades melhores. Claro que o caso aqui não é uma regra infalível. A relativa eficácia do modelo depende de algumas circunstâncias, dentre as quais uma sociedade realmente livre economicamente, onde o governo não beneficia uns em detrimento de outros (Smith fala sobre isso em seus livros). E a própria honestidade do povo também será essencial para a saúde do processo. Os indivíduos de uma sociedade vil arrumarão mais constantemente formas de se beneficiar sem se esforçar para beneficiar os demais.

O ponto a ser enfatizado aqui, no entanto, é que o liberalismo não obriga o indivíduo a ser egoísta no sentido mal. Tampouco necessita desse tipo de egoísmo (embora possa se beneficiar dele em algum grau). O amor próprio saudável, que mantém sentimentos altruístas, é melhor para a sociedade e para o próprio liberalismo, pois possibilita a manutenção de um ambiente de negócios mais ético, uma concorrência mais saudável e dentro das regras legais estabelecidas, uma estrutura legal mais rígida e a existência de indivíduos (empreendedores ou não) e associações livres dispostos a ajudarem socialmente os mais necessitados.

Uma vez que o liberalismo possui em si a capacidade de gerar mais riqueza, uma sociedade moralmente saudável poderá se utilizar bem desses recursos para ajudar livremente, o que reforça o senso de responsabilidade individual e, por conseguinte, social. Aqui, ressalta-se, responsabilidade social não se confunde com responsabilidade estatal ou governamental, como ocorre nos regimes econômicos estatistas.

7. Em geral, as sociedades mais bem sucedidas chegaram aonde estão hoje por uma confluência de fatores. O primeiro fator é a modelação da cultura por meio da moral judaico-cristã (ou algum sistema moral semelhante e igualmente impactante). Isso tanto no sentido da conduta ética, quanto no sentido racional, suplantando modelos antigos de politeísmo e teocracia, historicamente frágeis e inferiores quanto a essas questões.

A cultura remodelada cria condições para o surgimento de um povo mais racional e polido, de onde emergem homens com ideias positivas de limitação do poder do Estado, império das leis, garantia de direitos humanos, sistema de pesos e contrapesos, democracia representativa, economia mais livre, etc.

Implantadas essas ideias, a cultura e o tempo serão responsável pelo aperfeiçoamento das mesmas. E o aprimoramento da estrutura político-econômica será, por sua vez, um fator importante para a manutenção da sociedade dentro de determinados limites.

O processo, contudo, está sujeito à interferências das mais diversas, tanto no que se refere à degradação da cultura, quanto à degradação do próprio sistema político-econômico. O norte para a ser seguido no intuito de evitar essas degradações diversas é sempre resgatar os valores culturais responsáveis pela civilização/moralização da sociedade e pela germinação das estruturas político-econômicas mais elevadas e eficazes para o ser humano como ele é.

Por que a legalização do aborto é um absurdo moral e jurídico?

Esse texto foi publicado originalmente no blog “Reação Adventista“. Para ler por lá, clique aqui

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É bastante comum ouvir a seguinte alegação abortista: “É claro que sou contra o aborto. Eu não abortaria. Mas sou à favor é da legalização. É diferente”. O argumento implícito aqui é o aborto pode até ser imoral, mas a legalização é apenas uma questão civil e não há imoralidade em ser favorável a ela. Esse argumento é válido? Não, não é e vamos expor isso.

A questão toda, como já mostramos em outra postagem, gira em torno de uma pergunta básica: o que está no interior do útero de uma mulher grávida é uma vida humana ou não? Se é uma vida humana, então aborto é assassinato. Se não é uma vida humana, então não se trata de um assassinato. Quanto a essa questão, não há razão lógica, nem científica para se crer que o embrião, o feto ou o bebê dentro do útero não é uma vida humana. Nem cito aqui a questão teológica, já que vamos falar de legalização e o Estado é laico.

Ora, se há uma vida humana dentro do útero e tirá-la é cometer assassinato (a morte de um inocente), então não podemos legalizar isso. Afinal, estaríamos legalizando um crime. Apelar para o fato de que a criança ainda não nasceu, não se desenvolveu e etc. não muda o fato de que estamos falando de uma vida humana. Na verdade, a questão aqui se agrava, pois se apelarmos para o desenvolvimento incompleto, estamos justificando o assassinato de um ser mais frágil, só porque ele é mais frágil. Então, não, não é correto legalizar.

Geralmente, o que se vai argumentar aqui depois é que a legalização do aborto seria uma questão de saúde pública, já que legalizando ou não, mulheres farão aborto. E é melhor elas fazerem numa clínica legalizada, sem correr risco de morrer. Mas esse argumento é ruim. Ele tenta justificar um assassinato apelando para o bem-estar das assassinas. Do ponto de vista puramente racional e legislativo, isso seria um absurdo. Ademais, com esse pensamento seria possível dizer: “Legalizando ou não o assassinato, o assalto, o roubo, o estupro, esses crimes vão continuar ocorrendo. Então, é melhor legalizar porque aí os criminosos não serão agredidos, nem as vítimas, já que os atos serão legais e elas não poderão reagir”. Através dessa analogia, vemos que o argumento não faz sentido e é ridículo.

É claro que há casos mais específicos. Por exemplo, uma mulher pode ter sido violentada, ou a gravidez pode lhe causar risco de morte, ou a criança pode ser comprovadamente anencéfala. Nos dois últimos casos, é justo que a mulher opte pelo aborto. Num caso ela está escolhendo proteger sua vida. Legalmente falando é um direito legítimo. No outro caso, um bebê anencéfalo é um bebê natimorto. Se a pessoa for religiosa e crer em milagres, ela pode levar a gravidez adiante, orando a Deus para que o quadro seja revertido. O mesmo no caso do risco de morte. Mas aí é algo que a lei não pode (nem deve) impor. É escolha pessoal e o Estado é laico.

Quanto ao primeiro caso, o do estupro, não é justo o bebê ser morto porque é fruto de estupro. Por outro lado, também não é justo que a mulher tenha um filho que definitivamente não escolheu ter e que é resultado de abuso. Neste caso delicado, eu, Davi, não tenho opinião formada sobre o que a lei deveria fazer. Do ponto de vista moral, o aborto não é uma boa alternativa aqui. A mulher violentada, evidentemente, deve contar com todo o apoio, amor e conforto de sua família, amigos e Igreja (se ela for religiosa), tanto para lidar com o abuso sofrido, quanto para procurar amar a criança, que nada tem a ver com a violência do estuprador. Se optar pelo aborto, penso ser algo compreensível, embora não a decisão mais acertada no âmbito moral. Mas legalmente falando eu realmente não sei.

De qualquer forma, a lei brasileira prevê a possibilidade de aborto para esses três casos (estupro, alto risco de morte para a mãe e bebê anencéfalo). Ou seja, as pessoas que lutam por aborto hoje no Brasil (especialmente as feministas), não lutam por aborto para esses casos difíceis. Lutam por aborto para qualquer caso. Isso inclui a desistência de ter um filho, a gravidez indesejada contraída por uma vida promíscua, motivos econômicos, escolha de sexo do bebê, descoberta de algum defeito físico na criança e etc. Isso é terrivelmente imoral. Estamos falando de uma vida. Abortar por essas razões é não só dar aval para que a sociedade mate inocentes, mas para que mate inocentes por razões egoístas e até por eugenia. Colocar isso em lei, portanto, é ferir gravemente a legislação.

Do ponto de vista emocional, é claro que não podemos ser insensíveis. Há casos de mulheres que engravidaram porque o preservativo falhou, ou porque foram ludibriadas por algum homem que agora não quer assumir a criança. Tudo isso é triste e difícil. Mas não muda o fato de que aborto é assassinato. E não muda o fato de que priorizar o aborto, nestes casos, é ser egoísta e punir uma vida inocente. Não é bom para a sociedade ter um ato desse consolidado em lei, pois é imoral, egoísta e criminoso do próprio ponto de vista da legislação vigente. É homicídio. E homicídio é crime.

Assim sendo, ser contra o aborto, mas à favor da legalização (ampla e irrestrita) dá no mesmo. É errado do mesmo jeito. É ser favorável à legalização de um crime, do assassinato de pessoas inocentes e indefesas.

Aborto é assassinato

Este texto foi publicado originalmente no blog Reação Adventista. Para ler por lá, clique aqui.

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Não, a discussão sobre o aborto não é uma questão de saúde pública, ou econômica, ou de escolha individual. A discussão sobre o aborto é uma questão de moral. E a pergunta que deve iniciar e orientar a questão, a única pergunta realmente importante, é a seguinte: o ser que há no útero da mulher grávida é uma vida humana ou não?

Ora, quer olhemos pelo viés científico, quer pelo viés lógico, não há qualquer razão plausível para considerar que o ser intrauterino não seja uma vida humana. Não, ele não é uma célula da mãe ou uma célula do pai. No momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo, temos ali a união de duas células, formando algo novo: um zigoto, que se desenvolverá naturalmente. É um novo ser em formação e não mera parte do pai ou mera parte da mãe.

Não, não se trata de uma potencial vida, mas de uma vida já em formação. Sim, trata-se de um organismo, por mais que ainda dependa de sua hospedeira, a mãe. É um ser humano, claro! Não poderia ser um elefante. Pode não ter autoconsciência, mas quem disse que a humanidade se define pela autoconsciência? Alguém que entra em coma, ou que perde totalmente a memória, continua sendo humano. Um bebê recém-nascido, por mais que não tenha autoconsciência formada é um ser humano.

Alguns procuram, arbitrariamente, definir fases da gravidez para dizer: “A partir daqui é uma vida humana. Antes, não”. Que base possui esse tipo de pensamento? O simples fato de que um embrião ou um feto não é um bebê desenvolvido? Isso não faz sentido! Um bebê não é uma criança desenvolvida. Uma criança não é um adulto desenvolvido. Eu deveria dizer que uma criança não é humana porque ainda não é um adulto desenvolvido? Faria sentido dizer que uma menina de oito anos não é humana porque não possui os seios de uma mulher adulta?

É ridículo tal argumento. Estabelecer fases para a gravidez para definir o que é vida é absolutamente arbitrário. Não possui base científica. A vida intrauterina é vida e é vida humana, não importa a fase da gravidez. As etapas do desenvolvimento dessa vida não a fazem mais ou menos humana. São apenas fases.

É interessante refletir sobre essas fases. Desde o início da concepção, o pequeno e rústico organismo novo passa a trabalhar diariamente em seu próprio desenvolvimento. É um trabalho incessante e progressivo. Há mover e crescimento ali. Com 18 dias de vida, o coração do embrião já começa a se formar. Com 21 dias já está batendo. Ou seja, antes de completar o primeiro mês de gestação, já há um coração batendo no útero! Como dizer que não há vida ali?

Além disso, com 30 dias o bebê já possui um cérebro. E com 40 dias já é possível medir ondas cerebrais nele. Com oito semanas, pés e mãos estão quase prontos. E com nove semanas o bebê consegue até chupar o dedo. Todos os órgãos já estão presentes e os sistemas muscular e circular estão completos. Isso tudo em dois meses de gestação! Com dez semanas, isto é, dois meses e meio, o bebê já tem impressões digitais. Como não há vida? Que base há para essa inferência? Nenhuma.

Para quem é cristão, ou judeu (e aqui termina nossa reflexão), ainda há uma razão teológica para se crer que há uma vida humana no interior do útero de uma grávida: a Bíblia Judaica, que também é o Antigo Testamento da Bíblia Cristã, entende que a vida começa na concepção. Sim, no momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo e forma o zigoto. Diz um Salmo famoso:

“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, pois fui formado de modo tão admirável e maravilhoso! Tuas obras são maravilhosas, tenho plena certeza disso! Meus ossos não te estavam ocultos, quando em segredo fui formado e tecido com esmero nas profundezas da terra. Teus olhos viram a minha substância ainda sem forma, e no teu livro os dias foram escritos, sim, todos os dias que me foram ordenados, quando nem um deles ainda havia” (Salmo 139:13-16).

No livro de Jeremias, o próprio Deus diz ao profeta: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que nascesses te consagrei e te designei como profeta às nações” (Jeremias 1:4-5).

Além dessas passagens, há na Bíblia cerca de quarenta menções à vida intrauterina. Vida! Vida humana! É isso o que existe no interior do útero de uma mulher grávida. Quer olhemos para o aspecto lógico, quer para o científico, quer para o teológico (para quem é religioso), a resposta é uma só: o nascituro é uma vida humana. Portanto, aborto é assassinato.

 

Como destruir em pedacinhos a educação de um país

Esta postagem também foi publicada no blog “Mundo Analista“, bem neste link.

hi manOlá, pessoal! Hoje vou ensinar-lhes como destruir em pedacinhos a educação de um país. Eis o passo a passo:

(1) Estimule o surgimento de famílias desestruturadas. Como fazer isso? Há vários caminhos. Um deles é incentivar a promiscuidade. A promiscuidade gera a objetificação das pessoas. Cada indivíduo começa a enxergar o outro como apenas um meio de prazer próprio. Um meio descartável. Assim um usa o outro e depois se descartam mutuamente como um pedaço de papel de bala.

A promiscuidade também gera a banalização do sexo e das relações humanas. Mas o principal: a promiscuidade aumenta o número de pais egoístas, irresponsáveis e até mesmo de pais que não gostam do fato de terem tido filhos. Aqui está o pulo do gato. Quanto mais pais assim, mais filhos problemáticos teremos. E quanto mais pais ruins e filhos problemáticos tivermos, mais famílias desestruturadas teremos. Haverá brigas, ódios, rancores, falta de limites, falta de respeito mútuo, falta de valores morais e, claro, falta de educação. Quando esses filhos entrarem na escola, já serão verdadeiras pestes. E quando se tornarem pais, provavelmente serão péssimos pais também. Assim criamos um ciclo.

(2) Procure incentivar culturas, músicas e danças que ensinem as pessoas a serem promíscuas, maldosas, egoístas, rancorosas, vingativas, materialistas, desrespeitosas, viciadas em drogas, traficantes e etc. Se as crianças tiverem acesso a isso, melhor ainda! Funk proibidão deve tocar em festa de criança. Não intervenha nisso de forma alguma, mesmo que esteja em lei. A sociedade precisa aceitar a destruição da inocência das crianças. Isso é ótimo para destruir a educação. Se possível até estimule os pais a introduzirem seus filhos nessas coisas.

(3) Retire toda a autoridade do professor dentro e fora de sala de aula. Como fazer? Use o discurso de que a educação deve ser menos “repressora” e o aluno precisa ser mais livre. Limites apenas traumatizam crianças e adolescentes. Elas precisam ser donas de si mesmas e escolher o que querem fazer. Não se preocupe se você não acredita nessa baboseira. Finja que acredite. Você contará com o apoio de uma horda de psicólogos, psiquiatras, antropólogos e sociólogos que o ajudarão a implementar isso. E com esta medida você deixará o professor refém dos alunos. Os alunos o verão como um “bundão” que não tem autoridade para nada e passarão a aula inteira conversando, quebrando cadeira, afrontando o professor, brigando com o colega e etc.

(4) Lembre-se que quando tiramos a autoridade do professor e não damos limites aos alunos, a tendência é que os bons alunos se tornem desestimulados. Afinal, os maus alunos irão atrapalhá-los a estudar. E todas as besteiras que fizerem serão aceitas. Assim, o bom aluno não verá diferença alguma entre ser estudioso e respeitoso, ou desleixado e abusado. Faça de tudo para manter esse quadro! Os bons alunos precisam ser os mais desestimulados possíveis para que seu número diminua.

(5) Infelizmente, você não conseguirá transformar todos os bons alunos em maus. Paciência! Não se desespere! Eles são um perigo sim, pois provavelmente irão para faculdade e lá influenciarão muita gente. Mas há como contê-los. Sabe como? Doutrinando-os desde os ensinos fundamental e médio a acreditarem que todos os problemas sociais devem ser resolvidos com a ação do Estado. Ele precisa aprender que quanto maior a ação do Estado, melhor. Se há algum problema, o Estado deve ser mais presente. Uma das formas de levá-lo a pensar dessa forma é criando um material didático que apresente o capitalismo como algo ruim e o marxismo como algo bom. Também é importante que os livros de história falem de Jean-Jacques Rousseau e Karl Marx, mas nunca de Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Eugen von Bonh-Bayerk, Erik Voegelin (que refutaram Rousseau, Marx e outros revolucionários). Não os deixe saber da existência desses homens! No máximo fale de Adam Smith, mas deixe claro que o liberalismo econômico é algo que não deu certo, que só causa pobreza e desgraça e que todo mundo hoje em dia sabe disso. E faça-o pensar que só quem defende o liberalismo econômico e o capitalismo são os grandes empresários, que querem massacrar os trabalhadores.

Fazendo isso, esses bons alunos entrarão na faculdade já com uma mentalidade pró-intervenção estatal. Lá suas cabeças serão totalmente moldadas pelos professores marxistas que lá existe. Ah, isso é importante! Tire a autoridade de professores de ensino fundamental e médio, mas não a dos professores universitários. Por que? Porque o objetivo é formar pessoas burras e ignorantes no fundamental e médio. A universidade é para pegar os inteligentes que escaparam para transformá-los em pessoas que vão lutar pela manutenção de um Estado gigante e poderoso. Eles se tornarão professores no futuro e poderão dar continuidade à obra de doutrinação ideológica nas faculdades.

6) Tire autoridade dos bons pais. Um grande problema para você pode ser os bons pais. Eles ensinarão tão bem os seus filhos que os mesmos crescerão com valores morais, cívicos e religiosos, além de muito inteligentes. Isso os impedirá de aceitar qualquer tolice que você tentar ensinar. E isso coloca em risco o seu poder. Por isso, você precisa ser estratégico. Sabe a ideia de dar liberdade às crianças e adolescentes nas escolas? Comece a trabalhar nisso no âmbito caseiro. Crie gradualmente uma cultura que puna os pais que educam bem aos seus filhos. Você deve atacar tanto o conteúdo do que eles ensinam aos seus filhos como a forma como eles passam esse conteúdo. Use rótulos. Chame o conteúdo e a forma deles de ensinar de retrógrada, fascista, repressora, inadequada, ultrapassada, traumatizante, ditatorial, fanática, exploradora e etc. Lembre-se: o Estado precisa se intrometer na educação que o cidadão dá ao seu filho. Faça os cidadãos entenderem, aliás, que eles não devem e não podem fazer nada sozinhos. O Estado é a única autoridade competente para dizer como os pais devem educar aos seus filhos.

7) Centralize o poder das escolas nas mãos do governo. Não deixe que cada unidade escolar tenha autonomia. Nada disso! Quem manda na escola não são os professores e quem está de frente com os desafios diários. Quem manda são burocratas que nunca entraram numa sala de aula e ficam atrás de um gabinete o dia inteiro dando canetadas.

8) Jamais isole adolescentes criminosos da sociedade. Eles precisam ser “reeducados”. kkkkkkkkkkkkkk. Desculpa, não me contive. Mas eles precisam ser reeducados, da mesma forma como foram educados na escola… kkkkkkkkkkkkk. Sim, é muito efetivo. Com isso, você vai gerar nos adolescentes a impressão de que vale mais à pena cometer crimes do que estudar. O que é verdade. 😀

9) Desestimule valores morais e religião. Tudo o que servir de freios para as pessoas, desestimules. Crie militâncias nas faculdades contra qualquer ideia conservadora que venha impedir as pessoas de darem vazão aos seus desejos mais sórdidos.

10) Sempre, eu disse, sempre se lembre de fixar na mente das pessoas que a culpa da educação está ruim é do capitalismo, do conservadorismo, da religião. Use e abuse da palavra capitalismo. Ela se tornou uma palavra tão elástica, que é possível você colocar qualquer mal na conta do capitalismo e depois relacionar capitalismo com qualquer coisa que você não goste. Fascismo também.

11) Estimule crianças e adolescentes a fazerem muito sexo, desde bem pequenas. Faça elas pensarem nisso mesmo que não saibam nem fazer conta de dividir. Distribua camisinhas, incentive novelas e filmes em que crianças e adolescentes tenham diálogos sobre sexo e a necessidade perderem logo a virgindade (“com responsabilidade”, usando camisinha. kkkkk).

12) Você sabe que a coisa mais importante para uma pessoa é desenvolver apreço pela leitura, saber expressar suas ideias por escrito e saber fazer contas básicas. Quem domina bem isso, consegue ir bem em qualquer coisa quando se esforça. Então, faça de tudo para não debater à fundo essas questões. A escola não pode criar nenhum projeto efetivo que leve os alunos a desenvolverem bem essas habilidades.

13) Sempre alguém pode perceber sua estratégia para manter a educação ruim. Para evitar isso, mostre que você se importa sim. Como? Primeiro, sempre diga: “Vamos investiram mais em educação”. E invista mesmo! Quanto mais dinheiro você destinar para a educação, melhor. É mais dinheiro para você poder desviar. E é mais número para você comparar com o governo anterior: “Viu? Meu governo investiu mais que o anterior”. As pessoas caem nisso. É moleza. Segundo, crie sempre “novos” modelos de educação. Nunca modelos efetivos, claro! Mas invente algo, consiga apoio de psicólogos, psiquiatras, pedagogos e antropólogos imbecis por aí e ponha em prática. Quando as pessoas perceberem que não deu certo, bote a culpa nos resquícios de educação repressora herdados pela ditadura, pelo neoliberalismo, pelo imperialismo americano, pelo capitalismo malvadão, pelo fascismo, pelo nazismo, pelo cristianismo e etc. Terceiro, crie políticas afirmativas. Use e abuse delas. Cotas são uma ótima maneira de fazer as pessoas acreditarem que você está fazendo algo pela educação sem que você faça nada. Você não resolve o problema e fica todo mundo feliz com você.

14) Embora seu objetivo seja formar o máximo possível de burros, você precisa colocar pelo menos uma coisa na cabeça de todos esses burros: eles precisam do Estado. Mesmo que eles não entendam nada de política e não saibam quem foi Karl Marx, eles precisam ter isso em mente: se há um problema, é a presença do governo que irá resolver.

15) Não deixe ninguém perceber que os dois problemas principais da educação não estão sendo atacados por ninguém: a crise administrativa e a crise pedagógica. A crise administrativa diz respeito ao fato de que a sociedade não tem controle de quanto dinheiro o Estado gasta com cada escola em especifico. Ninguém tem acesso às contas da escola. A crise pedagógica diz respeito ao fato de que o professor hoje foi transformado em um “bundão” dentro e fora de sala. Não deixe ninguém perceber isso, pois é precisamente por causa da manutenção desses problemas que você está hoje no poder.

Que benefícios esse passo a passo gera?

Milhares!

As crianças e os adolescentes se tornarão cada vez mais idiotas, burras, ignorantes, maliciosas, violentas, promíscuas e sem interesse em estudar. Os professores não poderão ensinar. A maioria dos pais não vai querer dar educação aos filhos. A minoria que quiser dar educação será reprimida pelo governo e pela própria sociedade. Assim, a educação vai para o ralo. E a educação indo para o ralo, faz com que o povo não tenha capacidade de mudar seus políticos e ache que a resolução de tudo está em dar mais poder para o Estado. Em outras palavras, isso faz com que o seu poder seja garantido por décadas e o seu partido ou posicionamento ideológico ganhe hegemonia. Seguindo esse passo a passo, você será um político de esquerda muito próspero e feliz. É isso!

Na próxima aula, ensinarei dicas de como manter a segurança um caos e os benefícios disso.

Abraços!

Eleições: uma análise ética e moral. Ou: a diferença entre PT e PSDB.

Eleições e uma análise para o voto sob uma perspectiva ética e moral.

Publicado originalmente por André Rezende Azevedo, autor do blog Viagem Lenta.

Eleições e uma análise para o voto sob uma perspectiva ética e moral – e não somente econômico-social. Esta é a maior diferença entre o PT e o PSDB. Confira na parte final do artigo.

Diferenças entre PT e PSDB

Esse não é um blog de política, embora em muitas postagens eu deixo transparecer claramente o que penso a respeito de diversos assuntos relacionados às decisões, práticas e estratégias praticadas por nossos representantes em Brasília. Mas em função de estarmos a três dias da eleição, optei por efetuar um pequeno comentário, racional e fundamentado, sobre nossas opções para a votação à presidente da república.

Analisando as últimas pesquisas de intenção de voto, fico perplexo como a população insiste em votar no PT. Tenho comentado em outros artigos que existem apenas duas opções para essas pessoas. Ou elas não sabem o que está acontecendo ou estão levando vantagem em alguma coisa e não querem perder seus privilégios. Não existe outra opção. Pelas redes sociais, vejo algumas postagens defendendo a candidata petista. Postagens de figurinhas, com frases primárias, mentirosas, que não esclarecem nem explicam nada. A análise é pífia, quando existe. Em geral são ataques aos demais candidatos ou comparações grotescas do governo PT com o anterior, do PSDB. Em geral feitas por pessoas com menos de 30 anos que não possuíam nem maioridade quando o PSDB saiu do governo. E claro, possuem uma ideia totalmente errada do que foi aquele período.


Não vou insistir nesse ponto comparativo pois ele fica sem sentido sem uma análise mais profunda do que é sair de um país em hiperinflação, possuir uma nova e altíssima demanda em gastos sociais em função de algumas leis delirantes da recém Constituição Federal de 1988 ou conviver com déficits públicos absurdos em função da ausência de uma Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa foi a situação que foi herdada em 1995. Mesmo assim, para quem gosta de números, acesse essa página e veja que o governo FHC possui, em geral, indicadores melhores do que o governo Lula. E perceba: a comparação é com o governo Lula e não inclui o governo Dilma. Pois se incluísse, o resultado seria ainda mais favorável para o PSDB, visto que nos últimos 4 anos, andamos claramente para trás.

As maiores diferenças entre os dois partidos, entretanto, não estão nos indicadores econômicos, por incrível que pareça, embora o time de economistas do PSDB esteja muito à frente do time petista. Aliás, ser melhor do que o time que comanda o governo já há 8 anos nem quer dizer muita coisa, pois essa equipe econômica petista já é considerada a pior equipe econômica de todos os tempos. A era Palocci terminou há tempos. E sua condução na economia do país vai demandar um ajuste severo já em 2015, como eu havia comentado em outro artigo.

As maiores diferenças também não são referentes à demandas sociais, uma vez que o início de toda essa grande rede assistencial ocorreu no governo FHC. O PT votou contra e criticou muito a implantação dos programas de transferência de renda pelo PSDB, mas depois adotou-o e usa agora seus beneficiários como animais pertencentes ao seu curral eleitoral. O PSDB tanto criou os programas que foram fundidos posteriormente no Bolsa-Família como quer garanti-los agora como política de Estado. Não, a diferença entre ambos partidos não está aqui.

As maiores diferenças também não estão na defesa das minorias. Ambos partidos declaram-se a favor da igualdade racial, de gênero e de orientação sexual. Não diferem ainda no papel atribuído ao Estado para o setor de educação e de saúde, defendendo a manutenção de toda o arcabouço estatal.

Percebe-se que o PSDB está muito distante de pessoas que defendem princípios liberais, como eu. Logo, não faço uma defesa do partido, bem como tenho muitas críticas a ele. Afinal, o partido é de esquerda, embora alguns lunáticos insistem em colocá-lo como representante da esfera oposta. Mas é uma esquerda bem menos imbecil e perigosa do que a esquerda representada pelo partido da situação. E o objetivo aqui é mostrar que mesmo assim, ele possui uma diferença marcante em relação ao PT.

A maior diferença dos dois partidos está no aspecto ÉTICO e MORAL.

  • O PSDB NÃO fundou e nem apoia o Foro de São Paulo, como o PT.
  • O PSDB NÃO defende, dá voz e elogia grupos terroristas como as Farc, como o PT.
  • O PSDB NÃO financia e/ou se solidariza com ditadores pelo mundo, como o PT.
    O PSDB NÃO passa a mão na cabeça e chama de “guerreiros” bandidos condenados e presos por um julgamento no STF, como o PT.
    O PSDB NÃO apoia decretos para beneficiar politicamente minorias organizadas em detrimento à maioria da população, como o PT.
  • O PSDB NÃO tenta solapar a liberdade de imprensa através de projetos de lei e financiamento de blogs sujos que pululam na internet, como o PT.
  • O PSDB NÃO tem políticos apoiados pelo PCC, como o PT.
  • O PSDB NÃO tentou processar analistas econômicos por emitirem sua opinião pessoal.
  • O PSDB NÃO usou truques e maquiagens criativas nas contas públicas para mostrar uma realidade econômica que não existe, como o PT tem feito ultimamente.

É por esse meio que encorajo as pessoas que possuam um modelo mental coerente a escolher com cuidado seu candidato. O PT representa a supressão de sua liberdade. O PT representa a destruição da verdade. O PT representa a perda de sua própria individualidade. Se você acredita que aqui nunca será uma Venezuela, é porque ainda é um sapo que não percebeu que a água está esquentando.