20 anos sem Roque Spencer Maciel de Barros: homenagem a uma grande inspiração intelectual

Existem autores que nos REtransmitem grandes ensinamentos e, também, existem autores que, além de transmitir novos saberes, marcam a nossa vida. Como grande estudioso da filosofia liberal devo muito a John Locke (1632-1704), Karl Popper (1902-94) e, claro, a autores brasileiros cujo maior conhecimento deles seria de grande valia para as atuais e inquietantes discussões no nosso país. Posso mencionar, como belos exemplos, Alberto Oliva, Francisco de Araújo Santos, José Guilherme Merquior (1941-91) e Roque Spencer Maciel de Barros (1927-99). Quanto a este, uma inspiração especial para eu encarar a vida, estamos completando, nesta quarta, 20 anos de sua partida. Gostaria de falar um pouco mais acerca de sua relevância para as minhas empreitadas intelectuais.

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O Outro: uma instância ética para além das fronteiras ideológicas

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Faço deste meu primeiro e breve artigo de 2019 um convite à reflexão sobre um tema que muito tem intrigado aqueles que defendem a liberdade por inteiro. Atentados contra a vida e contra a democracia, como foi o assassinato da vereadora Marielle Franco há um ano, e, até mesmo, a morte de um inocente, tal como a do neto do ex-presidente Lula, no início deste mês, acometido de meningite, trazem a oportunidade de reflexão acerca de uma questão muito inquietante: até quando divergências políticas, ideológicas, religiosas ou de qualquer outro tipo continuarão a ser sobrelevadas em relação ao Outro, instância ética sagrada, não apenas fonte de valores, mas inviolável em sua dignidade e direitos, que deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo e nunca como meio?

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Gab.ai lança Dissenter: uma ferramenta para burlar a censura nas redes sociais

A censura nas redes sociais está em todo lugar. O Facebook e o Twitter tem total controle sobre o que pode ou não ser dito dentro das suas plataformas, e você pode ter certeza de que eles usam este poder para censurar ou simplesmente “capar” o alcance das mensagens de cujo conteúdo eles discordam.

Há dois anos, Andrew Torba lançou sua rede social focada em liberdade de expressão, Gab.ai. Todo discurso que é considerado legal nos Estados Unidos pode ser postado na plataforma Gab. Ou seja, não existe um conjunto separado de discursos proibidos definidos pela plataforma e imposto aos seus usuários. Isto desencadeou retaliações das redes sociais tradicionais, que acusaram o Gab de promover “discurso de ódio”.

Agora o Gab quer dar aos seus usuários ainda mais poder para expressar suas opiniões livres de censura: ele acaba de lançar Dissenter, ou “a seção de comentários da internet”, como os seus criadores a apelidaram. Este serviço permite aos usuários comentar e ler comentários sobre cada URL a partir de um plugin externo, sem necessidade de logar ou sequer ter uma conta no site em questão. Isto significa que você pode burlar completamente a censura privada de plataformas como Facebook, Twitter ou o próprio WordPress.

Caso queira testar, visite dissenter.com

Sobre a polêmica fala da ministra Damares Alves

Por que a fala da Ministra Damares Alves, responsável pela pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos causou tanta polêmica? Dizer que meninos vestem azul e meninas vestem rosa significa praticar algum ato discriminatório? Sim. Contra quem? Contra quem teve a coragem de dizer o óbvio. Explico. Ao se expressar metaforicamente, conforme a própria ministra afirmou em entrevista ao Jornal das Dez na Globo News [1], ela quis somente fincar a bandeira dela e a do governo Bolsonaro de combate à ideologia de gênero. Ideologia? Não seria identidade de gênero? Mas o que, conceitualmente, diferencia essas expressões? Bem, o termo ideologia de gênero é pejorativo enquanto a expressão identidade de gênero carrega uma roupagem científica. Em linhas gerais, essa pretensa identidade de gênero tem como base a Teoria do Poder do filósofo Michel Foucalt onde o binômio sexo/natureza é problematizado em uma visão histórica, a qual desemboca na Teoria Queer que tem como sentido etimológico a ideia do estranho, do esquisito que diverge ao padrão heterossexual e do binômio de gênero: masculino/feminino.

Em resumo, essa Teoria Queer brotou com força a partir do livro (problemas de gênero) da filósofa Judith Butler [2]. E o que essa teoria ensina? Segundo ela não há classificação de gênero nem de sexualidade estanque. O padrão heteronormativo e o binômio de gênero masculino/feminino são classificados pela Teoria Queer como meras construções sociais. Ou seja, alguém pode ser homem pela manhã e resolver ser mulher à tarde e vice-versa, assim como é natural se ter relações sexuais homo, bi, poli, e Deus sabe o que mais. Pode-se até aderir a gêneros novos. Quais? Pergunte a quem defende essa tese pseudocientífica oriunda da psicologia e das ciências sociais que, até onde sei, são áreas de pesquisa bem inclinadas a subjetivismos. Quando a ministra Damares se referiu metaforicamente à ideologia de gênero ela se manifestou, assim como o governo Bolsonaro, contra essa visão Queer de mundo sem qualquer unanimidade científica, muito pelo contrário. A ministra seria ovacionada e idolatrada, caso afirmasse que bebês nascem neutros e escolhem o gênero ao qual pertencerão. Gêneros que, como foi citado, não se limitam ao masculino/feminino. Mas pelo fato dela ter dito o que a genética e a biologia embasam, foi e será criticada até o último dia de exercício na função ministerial. Talvez pelo resto da vida. Não, nesse mundo esquerdista meninos não vestem azul nem meninas vestem rosa, ambos vestem vermelho.


Referências:

[1] Portal G1. Damares diz que não se arrepende da frase polêmica e que nenhum direito adquirido será retirado. Disponível em: <https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/04/damares-diz-que-nenhum-direito-adquirido-sera-retirado-e-que-nao-se-arrepende-de-frase-polemica.ghtml> Acesso em: 04/01/2019.

[2] VIEIRA, Helena. Teoria Queer, o que é isso? Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/osentendidos/2015/06/07/teoria-queer-o-que-e-isso-tensoes-entre-vivencias-e-universidade/> Acesso em: 04/01/2019.

O que esperar de 2019? Uma abordagem bíblica.

No ano de 2018 testemunhamos acontecimentos nacionais e globais que pouco se diferenciaram dos de décadas passadas. Presenciamos inúmeras catástrofes naturais, acidentes de trânsito, homicídios, desabamentos, crise financeira, corrupção. Mas também assistimos a fatos (que se tornaram história) atípicos. Por exemplo, a sonda Insight chegou ao solo do planeta Marte, após uma viagem de sete meses, e enviou as primeiras imagens da superfície do planeta [1]. Em maio de 2018 pesquisadores descobriram um novo órgão no corpo humano: o interstício [2], que é composto por uma rede de canais microscópicos cheios de fluído que se estende por todo o corpo. Foi descoberto o fragmento mais antigo – de que se tem notícia – da Odisseia de Homero. Ele está gravado em uma placa de argila do século III D.C., encontrada ao redor do santuário de Olímpia na península do Peloponeso [3].

Em âmbito mundial, nós vivenciamos o clima de mais uma copa do mundo que não se tornou muito memorável para os brasileiros. Num contexto nacional, desenvolveu-se o processo eleitoral mais polarizado de todos os tempos que, ao fim, trouxe alguma esperança para os que anseiam por mudanças.

Bem, mas o que podemos esperar do ano de 2019? Daqui a algumas horas milhões de pessoas ao redor do mundo estarão vestidas de branco, aptas e ávidas, para dar os seus pulinhos nas sete ondas milagrosas que talvez lhes forneçam a prosperidade para o ano que começa. Outras gentes estarão comendo bebendo ou se vestindo de alguma forma predeterminada para atrair a boa sorte no réveillon – sorte que todo ser humano anseia. As religiões indicam mil e uma superstições e previsões, das mais diversas, para esse novo período que se iniciará.

Mas o que realmente podemos esperar? A paz mundial se tornará realidade? Não. O Brasil alcançará o status de um país de primeiro mundo? Sinto te informar que não. Embora seja um apoiador do novo governo, não me iludo. A política não salvará o nosso país. Mas, então, devemos adentrar aos portões do novo ano cheios de maus presságios ou apreensões pessimistas? Depende. Não sou vidente, mas sei que nem o Brasil nem o mundo se tornarão um mar de rosas por conta de uma simples mudança no calendário. Em termos ocidentais não estamos no ano de 2018, logo, não estamos “indo” para 2019. Afinal, o nascimento de Jesus Cristo delimita o início na nossa era cristã, mas esse marco histórico se deu entre 6 a 4 anos antes do ano 1. Abro esse parêntese somente para lembrar o quanto estão enganados os que baseiam a felicidade, seja pessoal ou mundial, em uma simples alteração cronológica que nada significa no resumo das contas.

Indo ao objetivo desse texto, eu afirmo que o mundo não vai se tornar um paraíso terrestre (como afirma a lógica marxista e de várias religiões) nem em 2019 nem em ano algum, porque viso transmitir um conselho baseado numa perspectiva bíblica, a qual ensina que esse mundo está morto no Maligno: 1ª carta de João 5,19 [4]. Ou seja, esse mundo vive distante de Deus por conta do pecado e está condenado a autodestruição. Parece uma visão terrível, não é mesmo? Na verdade não é. Ao mesmo tempo em que assegura a autodegradação dos valores mundiais, a Bíblia enfatiza a esperança dos crentes em Cristo, uma razão espiritual que supera –infinitamente – a todos os mais bem-intencionados desejos terrenos. O apóstolo Paulo declara que: “Se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis de todos os homens”, 1ª carta aos Coríntios 15,19. Esse é o segredo da real prosperidade que não se atrela às circunstâncias, pois sabe em quem pode confiar. “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Porque é necessário que quem se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador daqueles que o buscam”, Hebreus 11,6. Isso não significa que não devemos fazer bons planos para a nossa existência humana. Devemos planejar, sim. Além disso, devemos atuar como cidadãos conscientes dos nossos direitos e obrigações, a fim de contribuirmos na construção de uma sociedade menos egocêntrica e mais justa. Contudo, à luz das Escrituras Sagradas, sabemos que o nosso mundo decaído não vai se transformar num reino de paz e caridade, nem no ano que vem nem nunca. Por quê? Porque todos os valores necessários para a criação de um mundo pleno em igualdade e paz são valores absolutos e eternos que residem em Deus, mas os homens vivem separados dele: “Porque os nossos pecados fazem separação entre nós e o nosso Deus; (…) Isaías 59,2.

Conclusão

Quem quer ser realmente próspero em 2019 deve abandonar às superstições para esperar em Deus. Ele é o Único que pode transmitir paz no meio das maiores tribulações (Colossenses 4,7): “E a paz de Deus, que excede a todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Em Deus as forças dos abatidos se renovam: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias, correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”, Isaías 40,31. Jesus disse: “Venham a mim os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos darei alívio”, Mateus 11,28. Feliz 2019!

Referências:

[1] Revista Galileu. Sonda InSight chega à Marte e envia primeira imagem à NASA; confira. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/11/sonda-insight-chega-marte-e-envia-primeira-imagem-nasa.html> Acesso: 30/12/18.

[2] SPUTNIK. 7 descobertas científicas de 2018 que nos mostram um outro lado do mudo. Disponível em:  <https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2018122813005440-7-descobertas-cientificas-2018-sistema-solar/> Acesso: 30/12/18.

[3] GAUCHAZH, Ciência e tecnologia. Fragmento mais antigo da Odisseia, de Homero, é encontrado na Grécia. Disponível em:  <https://gauchazh.clicrbs.com.br/tecnologia/noticia/2018/07/fragmento-mais-antigo-da-odisseia-de-homero-e-encontrado-na-grecia-cjjg4ut9j01rp01mwfmpj36bh.html>

[4] Bíblia Anotada. Versão Almeida Revista e Atualizada com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie, Ph.D. Editora Mundo Cristão, São Paulo.